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  • Por que O Desaparecimento do Universo está ligado a Um Curso em Milagres?

    Por que O Desaparecimento do Universo está ligado a Um Curso em Milagres?

    Para compreender verdadeiramente O Desaparecimento do Universo, existe uma conexão que não pode ser ignorada:

    Um Curso em Milagres.

    À primeira vista, o livro de Gary Renard parece contar uma história extraordinária sobre o aparecimento de Arten e Pursah e as conversas que se seguem. Mas, conforme avançamos, percebemos que existe uma estrutura por trás dessas conversas.

    Os temas mudam.

    As perguntas de Gary mudam.

    As situações mudam.

    Entretanto, Arten e Pursah retornam continuamente aos mesmos princípios:

    • a separação.
    • o ego.
    • a culpa.
    • a projeção.
    • a percepção.
    • o Espírito Santo.
    • o milagre.
    • e, sobretudo, o perdão.

    Esses conceitos formam justamente o núcleo da interpretação de Um Curso em Milagres apresentada ao longo de O Desaparecimento do Universo.

    O próprio livro deixa clara essa relação. Em sua introdução, ele é apresentado não como substituto de UCEM, mas como uma possível introdução estimulante ou revisão radical de seus princípios fundamentais.

    Portanto, existe uma distinção essencial:

    • Gary Renard não escreveu Um Curso em Milagres.
    • Arten e Pursah não são personagens do texto original de UCEM.

    Mas O Desaparecimento do Universo utiliza Um Curso em Milagres como uma de suas principais estruturas metafísicas.

    E compreender essa diferença muda completamente nossa leitura.

    DOIS LIVROS, DUAS EXPERIÊNCIAS DE LEITURA

    Um Curso em Milagres possui uma linguagem própria.

    Seu sistema de ensino é apresentado através do Texto, do Livro de Exercícios e do Manual para Professores, além de materiais suplementares em determinadas edições.

    É uma obra densa.

    Muitas de suas palavras familiares — como perdão, milagre, expiação, salvação, ego, pecado e Espírito Santo — recebem significados específicos dentro de seu sistema de pensamento.

    Isso pode produzir uma dificuldade inicial.

    O leitor reconhece a palavra. Mas talvez ainda não reconheça o significado que o Curso está atribuindo a ela.

    O Desaparecimento do Universo trabalha de outra maneira.

    Gary pergunta.

    Arten responde.

    Pursah provoca.

    Gary faz outra pergunta.

    Discorda.

    Tenta entender.

    Faz uma piada.

    Volta ao assunto.

    E conceitos abstratos começam a ser apresentados dentro de uma conversa.

    É justamente aí que os dois livros se encontram.

    GARY REPRESENTA, EM MUITOS MOMENTOS, O LEITOR

    Uma das razões pelas quais O Desaparecimento do Universo pode funcionar como porta de entrada para determinados leitores de UCEM é a própria posição de Gary.

    Ele não aparece como alguém que compreende tudo desde o começo.

    Muito pelo contrário.

    Ele pergunta aquilo que muitas pessoas perguntariam.

    Se Deus é amor, por que existe sofrimento?

    Deus criou este universo?

    Por que estamos aqui?

    O corpo é quem realmente somos?

    O que acontece depois da morte?

    Por que julgamos tanto?

    O que é o ego?

    O que significa perdoar?

    Se o mundo é uma ilusão, precisamos ignorar o que acontece nele?

    E talvez uma das perguntas mais difíceis: como aplicar tudo isso quando alguém realmente nos machuca?

    Arten e Pursah utilizam essas perguntas para apresentar sua interpretação de UCEM.

    Assim, em vez de receber apenas uma exposição abstrata, acompanhamos um estudante tentando assimilar um sistema de pensamento.

    A PRIMEIRA GRANDE CONEXÃO: A SEPARAÇÃO

    Para compreender a ligação entre os livros, precisamos começar pela ideia de separação.

    Na estrutura metafísica apresentada em O Desaparecimento do Universo, o problema fundamental da experiência humana não começa no dinheiro.

    Não começa nos relacionamentos.

    Não começa na política.

    Não começa no corpo.

    Não começa sequer na morte.

    Tudo isso seria consequência de uma questão mais profunda: a crença na separação.

    A mente experimentaria a si mesma como separada de Deus e, posteriormente, como separada de todas as outras coisas.

    Eu estou aqui.

    Você está ali.

    Meu corpo termina aqui.

    Seu corpo começa ali.

    Meus interesses podem competir com os seus.

    Para eu ganhar, talvez você precise perder.

    Essa lógica da separação passa então a organizar a percepção.

    E é nesse terreno que o ego encontra sua função.

    A SEGUNDA CONEXÃO: O EGO

    No uso cotidiano, chamamos alguém de “egoísta” quando a pessoa pensa excessivamente em si mesma.

    Mas o ego discutido nessa tradição é muito mais amplo.

    Ele é apresentado como um sistema de pensamento baseado na separação.

    Se acredito profundamente que sou separado, preciso proteger minha identidade.

    Preciso defender.

    Comparar.

    Controlar.

    Competir.

    Acusar.

    Criar diferenças.

    Determinar quem está certo.

    Determinar quem está errado.

    E, sobretudo, encontrar uma explicação externa para aquilo que sinto internamente.

    Em O Desaparecimento do Universo, Arten afirma que existem, em última análise, dois sistemas de pensamento e que o ensinamento trabalha contrastando-os: o sistema associado ao ego e aquele associado ao Espírito Santo.

    Essa oposição organiza grande parte das conversas.

    A TERCEIRA CONEXÃO: O ESPÍRITO SANTO

    Se o ego oferece uma interpretação, seria necessária uma alternativa.

    É aqui que entra o Espírito Santo.

    Na linguagem utilizada nessa tradição, o Espírito Santo não precisa ser imaginado simplesmente como uma figura exterior que aparece e toma decisões por nós.

    Ele representa a possibilidade de outra interpretação dentro da mente.

    O ego olha para determinada situação e diz:

    “Veja o que fizeram com você.”

    “Condene.”

    “Defenda-se interiormente.”

    “Você só ficará em paz quando aquela pessoa mudar.”

    A alternativa proposta pelo ensinamento começa perguntando: “Existe outra maneira de perceber isso?”

    Isso não significa abandonar a inteligência.

    Nem deixar de tomar decisões.

    Nem aceitar situações prejudiciais.

    O próprio diálogo de Arten diferencia o julgamento condenatório dos julgamentos práticos necessários para viver no mundo e afirma que o bom senso continua necessário.

    A transformação buscada ocorre em outro nível: qual sistema de pensamento está orientando minha percepção?

    A QUARTA CONEXÃO: O MILAGRE

    Aqui encontramos uma palavra que frequentemente causa confusão.

    Quando ouvimos “milagre”, podemos imaginar:

    • uma cura inexplicável;
    • um acontecimento sobrenatural;
    • uma manifestação física;
    • algo extraordinário contrariando aquilo que esperávamos.

    Mas o conceito trabalhado em UCEM e explorado por Gary Renard desloca a atenção do espetáculo externo para a mente.

    O milagre está ligado a uma mudança de percepção.

    Imagine que você esteja profundamente irritado com alguém.

    Tudo o que pensa sobre aquela pessoa confirma sua condenação.

    Você repassa mentalmente aquilo que aconteceu.

    Constrói argumentos.

    Relembra outros acontecimentos.

    Procura provas.

    Seu sistema perceptivo inteiro começa a trabalhar para demonstrar: “Eu estou certo em condenar.”

    Então alguma coisa muda.

    Talvez você não passe imediatamente a gostar daquela pessoa.

    Talvez a situação externa nem sequer se altere.

    Mas surge uma brecha.

    Você percebe que não quer continuar alimentando aquela guerra dentro da própria mente.

    Essa mudança de direção é muito mais próxima do significado de milagre trabalhado nessa tradição do que simplesmente esperar por um fenômeno extraordinário.

    A QUINTA CONEXÃO: O PERDÃO

    Chegamos ao coração da ligação entre as duas obras.

    Se tivéssemos de escolher apenas um tema para explicar por que O Desaparecimento do Universo está tão relacionado a Um Curso em Milagres, provavelmente seria:

    PERDÃO.

    Mas não o perdão entendido apenas convencionalmente.

    Normalmente pensamos:

    “Você fez algo errado.”

    “Você é culpado.”

    “Mas decidi ser generoso e perdoar você.”

    O problema, dentro da lógica metafísica apresentada no livro, é que a condenação continua intacta.

    Continuamos dizendo: “Você é realmente culpado pelo que aconteceu comigo.”

    O perdão apresentado por Arten e Pursah procura atingir a percepção que sustenta a condenação.

    É por isso que o ensinamento retorna continuamente à mente.

    O objetivo não é negar acontecimentos.

    É trabalhar com o significado psicológico e metafísico que atribuímos a eles.

    PROJEÇÃO: O MECANISMO QUE TORNA O PERDÃO NECESSÁRIO

    Existe outra peça fundamental: projeção.

    Se existe culpa que não quero reconhecer em mim, posso percebê-la fora.

    Agora parece que o problema está exclusivamente no outro.

    O outro se torna o culpado.

    Eu me torno a vítima.

    E a mente encontra uma justificativa aparentemente perfeita para não investigar a si mesma.

    Dentro do sistema apresentado no livro, os problemas do mundo procuram produzir respostas como culpa, raiva, medo, inferioridade, superioridade e julgamento, reforçando assim a experiência de separação.

    É justamente aí que o perdão começa a funcionar como instrumento de transformação.

    Aquilo que antes servia para aumentar a separação passa a ser utilizado para observar a própria mente.

    ISSO SIGNIFICA QUE NÃO DEVEMOS FAZER NADA NO MUNDO?

    Não.

    Essa é uma confusão importante de evitar.

    Se alguém viola seus limites, você pode estabelecer limites.

    Se existe um problema jurídico, pode tomar as providências necessárias.

    Se precisa procurar um médico, procure.

    Se precisa terminar um relacionamento, pode terminar.

    Se precisa dizer “não”, diga.

    A prática interior não exige passividade exterior.

    A própria discussão do livro preserva espaço para decisões práticas e bom senso.

    A pergunta é outra: enquanto faço aquilo que precisa ser feito, o que estou cultivando dentro da minha mente?

    Posso agir sem transformar o outro psicologicamente em um inimigo absoluto?

    Posso estabelecer um limite sem alimentar ódio durante dez anos?

    Posso defender meus direitos sem construir minha identidade inteira ao redor da condição de vítima?

    Essa é uma dimensão muito mais profunda da prática.

    POR QUE ARTEN E PURSAH INSISTEM TANTO NO CURSO?

    Dentro da narrativa, Arten e Pursah não querem simplesmente que Gary conheça frases bonitas. Eles querem que ele compreenda o sistema de pensamento.

    Pursah chega a enfatizar a importância de compreender corretamente aquilo que, na perspectiva dela, diferencia UCEM de outros ensinamentos espirituais.

    Essa preocupação ajuda a explicar por que O Desaparecimento do Universo é tão insistente em determinados temas.

    Não basta dizer: “Tudo é amor.”

    É necessário investigar: Se tudo é amor, de onde parece surgir aquilo que não é amor?

    Não basta dizer: “Somos todos um.”

    É necessário perguntar: Por que minha experiência diária parece confirmar constantemente a separação?

    Não basta dizer: “Eu perdoo.”

    É necessário observar: Ainda estou condenando essa pessoa secretamente em minha mente?

    O livro procura levar as afirmações espirituais às suas consequências psicológicas.

    O DESAPARECIMENTO DO UNIVERSO É UMA EXPLICAÇÃO OFICIAL DE UCEM?

    Não.

    Essa distinção é essencial para um estudo responsável.

    Gary Renard registra expressamente que as ideias apresentadas no livro constituem sua interpretação e compreensão pessoal e não necessariamente representam a posição dos detentores dos direitos autorais de Um Curso em Milagres.

    Isso significa que devemos evitar uma equivalência automática:

    “Arten disse” = “UCEM diz”.

    Nem sempre podemos fazer essa passagem sem consultar o Curso diretamente.

    A melhor abordagem é: O Desaparecimento do Universo pode ajudar a levantar perguntas e organizar conceitos.

    Depois podemos voltar ao próprio Um Curso em Milagres e investigar o que o texto efetivamente apresenta.

    Essa forma de estudo é muito mais rica.

    ELE SUBSTITUI UM CURSO EM MILAGRES?

    Também não.

    O próprio prefácio afirma explicitamente que o livro não é um substituto para Um Curso em Milagres.

    Essa frase deveria acompanhar todo leitor que chega ao Curso através de Gary Renard.

    Podemos imaginar assim: Gary pode abrir uma porta.

    Mas, se queremos estudar UCEM, em algum momento precisamos entrar em contato diretamente com UCEM.

    É semelhante a ler um excelente livro sobre determinado filósofo.

    O comentário pode ajudar enormemente.

    Pode esclarecer conceitos.

    Pode organizar a leitura.

    Pode oferecer exemplos.

    Mas continua existindo diferença entre:

    ler sobre o filósofo

    e

    ler o filósofo.

    POR QUE, ENTÃO, LER OS DOIS?

    Porque podem proporcionar experiências complementares.

    Um Curso em Milagres apresenta seu próprio sistema de treinamento mental.

    O Desaparecimento do Universo apresenta uma narrativa na qual Gary tenta compreender e aplicar uma interpretação desse sistema.

    Em um encontramos o ensinamento.

    No outro acompanhamos, em grande medida, um estudante confrontando as implicações desse ensinamento.

    E isso pode ser extremamente útil.

    Porque Gary faz algo que todos nós fazemos.

    Entende uma ideia.

    Depois esquece.

    Entende novamente.

    Depois se irrita com alguém.

    Lembra do ensinamento.

    Tenta aplicar.

    Fracassa.

    Tenta outra vez.

    E pouco a pouco começa a perceber que espiritualidade não é apenas aquilo que pensamos durante uma meditação.

    É aquilo que escolhemos quando alguém toca exatamente no ponto que ainda dói.

    A LIGAÇÃO MAIS PROFUNDA ENTRE OS DOIS LIVROS

    Talvez possamos resumir a conexão em um movimento:

    Da forma para a mente.

    O problema parece estar fora.

    O ensinamento nos conduz para dentro.

    A culpa parece pertencer ao outro.

    O ensinamento nos faz observar nossa percepção.

    O mundo parece determinar nossa paz.

    O ensinamento questiona essa dependência.

    O ego quer encontrar culpados.

    O perdão desfaz a condenação.

    O medo diz: “Proteja-se da separação.”

    O caminho espiritual pergunta: “E se a separação nunca tiver alterado aquilo que você realmente é?”

    É nesse ponto que O Desaparecimento do Universo e a interpretação que apresenta de Um Curso em Milagres se encontram de maneira mais profunda.

    UMA PRÁTICA PARA HOJE

    Quando alguma coisa incomodar você hoje, experimente não começar imediatamente tentando mudar o acontecimento em sua mente.

    Observe primeiro.

    Pergunte: “Como estou interpretando isso?”

    Depois: “Minha interpretação está aumentando a separação ou abrindo espaço para a paz?”

    E finalmente: “Existe outra maneira de ver?”

    Não force uma resposta.

    Apenas permita a pergunta.

    Porque talvez uma das grandes propostas compartilhadas por essa tradição seja exatamente esta: o mundo que vemos e a maneira como o vemos não precisam permanecer sendo a mesma coisa.

    Quando a percepção muda, nossa experiência também começa a mudar.

    E é nesse espaço entre percepção e escolha que o milagre começa a adquirir significado.

    No próximo post

    O que significa “O Desaparecimento do Universo”?

    Vamos entrar diretamente no título da obra e compreender por que Gary Renard, Arten e Pursah falam em um “desaparecimento”, se isso deve ser interpretado literalmente, o que aconteceria com o universo segundo a metafísica apresentada no livro e por que o verdadeiro desaparecimento começa na mente muito antes de qualquer discussão sobre o fim do mundo físico.

  • Quem são Arten e Pursah na narrativa de Gary Renard?

    Quem são Arten e Pursah na narrativa de Gary Renard?

    Duas pessoas aparecem inesperadamente em uma sala.

    Não chegam pela porta.

    Não telefonam antes.

    Não apresentam credenciais.

    Segundo o relato de Gary Renard em O Desaparecimento do Universo, elas simplesmente estavam ali quando ele abriu os olhos depois de uma meditação.

    Um homem e uma mulher sentados em seu sofá.

    Mais tarde, eles seriam conhecidos pelos leitores como Arten e Pursah.

    Mas quem são eles?

    A resposta mais simples seria dizer que, dentro da narrativa de Gary Renard, Arten e Pursah são apresentados como mestres ascensionados que aparecem para ensinar a Gary uma interpretação metafísica de Um Curso em Milagres.

    Entretanto, essa definição ainda diz muito pouco.

    Porque, à medida que avançamos pelo livro, percebemos que Arten e Pursah cumprem uma função muito maior.

    Eles não estão ali apenas para contar a Gary de onde vieram.

    Estão ali para questionar praticamente tudo aquilo que ele acredita saber sobre a realidade.

    O PRIMEIRO ENCONTRO

    A cena acontece durante a semana do Natal de 1992.

    Gary relata que estava sozinho em sua casa, em uma região rural do Maine. Sua esposa, Karen, havia saído para trabalhar e ele estava meditando na sala.

    Quando terminou a meditação e abriu os olhos, viu um homem e uma mulher sentados no sofá.

    A descrição é interessante justamente porque não corresponde ao estereótipo de uma aparição espiritual.

    Gary afirma que eles pareciam ter aproximadamente trinta anos.

    Pareciam saudáveis.

    Vestiam roupas contemporâneas.

    Não possuíam asas.

    Não estavam cercados por uma aura espetacular.

    Não irradiavam algum efeito visual sobrenatural.

    Segundo ele, poderiam estar sentados em um restaurante e provavelmente ninguém lhes daria atenção especial.

    A única diferença era extraordinária: Gary não sabia como eles tinham chegado até ali.

    Ele os descreve como aparentemente sólidos e, ao mesmo tempo, profundamente pacíficos.

    A mulher falou primeiro.

    Ela era Pursah.

    O homem era Arten.

    E assim começou uma sequência de encontros que, segundo Gary, se estenderia por vários anos.

    ELES DIZEM NÃO SER ANJOS

    Em determinado momento, Gary faz exatamente a pergunta que qualquer leitor provavelmente faria: “O que vocês são?”

    A resposta apresentada no livro é específica.

    Arten afirma que eles seriam mestres ascensionados, e não anjos.

    Dentro da cosmologia apresentada por eles, a diferença estaria no fato de que anjos não teriam passado pela experiência de nascer em corpos, enquanto Arten e Pursah afirmam ter vivido muitas experiências corporais.

    Eles dizem ter concluído esse processo e não precisar mais nascer.

    Também explicam que as aparências utilizadas diante de Gary representariam suas últimas identidades terrenas.

    É fundamental mantermos a mesma distinção que estabelecemos desde o início desta série: essas são afirmações feitas dentro da narrativa de Gary Renard.

    Não estamos tratando a existência objetiva de mestres ascensionados ou a identidade espiritual de Arten e Pursah como fatos históricos comprovados.

    Estamos estudando o que o livro afirma e, principalmente, a função dessas figuras dentro de seus ensinamentos.

    PURSAH E TOMÉ

    Uma das revelações mais surpreendentes da obra acontece quando os visitantes começam a falar sobre supostas encarnações anteriores.

    Gary afirma, na nota introdutória do livro, que Arten e Pursah acabaram identificando uma de suas vidas anteriores como São Tadeu e São Tomé, respectivamente.

    Isso produz uma inversão curiosa.

    Pursah aparece diante de Gary como mulher. Mas afirma ter sido homem em outras experiências de vida.

    O próprio diálogo aborda a possibilidade, dentro da cosmologia do livro, de uma consciência experimentar vidas masculinas e femininas.

    Na narrativa, a identidade associada a Tomé se torna especialmente importante porque o livro também discute o Evangelho de Tomé.

    Mas novamente precisamos separar duas coisas: uma é aquilo que a pesquisa histórica pode estabelecer sobre os textos antigos. Outra são as afirmações espirituais apresentadas pelos personagens do livro.

    Não são necessariamente a mesma coisa.

    ARTEN E TADEU

    Arten, por sua vez, afirma ter sido Tadeu.

    No diálogo, ele diz ter recebido originalmente o nome Labeu e posteriormente ter sido chamado de Tadeu. Também se descreve como alguém humilde, quieto e dedicado ao aprendizado.

    Essas revelações permitem que Gary faça aquilo que desejara anteriormente em suas orações: aproximar-se, ainda que dentro da estrutura narrativa do livro, de pessoas que afirmam ter conhecido Jesus.

    Mas aqui surge algo interessante.

    Se o objetivo fosse simplesmente revelar vidas passadas extraordinárias, o livro poderia ter seguido por esse caminho.

    Não segue.

    O centro das conversas rapidamente volta para: mente de Gary.

    E isso nos ajuda a compreender a verdadeira função de Arten e Pursah.

    ELES NÃO APARECEM PARA IMPRESSIONAR GARY

    Arten e Pursah não passam o livro tentando provar que são seres especiais.

    Na verdade, frequentemente fazem exatamente o contrário.

    Usam humor.

    Provocam Gary.

    Questionam suas certezas.

    Corrigem sua compreensão.

    E, às vezes, dizem coisas que ele claramente não gostaria de ouvir.

    Gary observa na introdução que algumas falas dos dois podem parecer duras quando colocadas no papel, mas afirma que percebia neles gentileza, humor, humildade e amor. Segundo ele, o estilo direto teria sido utilizado deliberadamente para fazê-lo prestar atenção.

    Isso define muito bem a dinâmica dos três.

    Gary é o aluno que pergunta.

    Arten e Pursah são os professores que frequentemente respondem: Você ainda está olhando para isso da maneira antiga.”

    DOIS PROFESSORES, UMA FUNÇÃO

    Apesar de possuírem personalidades diferentes, Arten e Pursah trabalham em direção ao mesmo objetivo.

    Eles querem ensinar Gary a distinguir aquilo que o livro apresenta como dois sistemas de pensamento.

    De um lado: o ego.

    Do outro: o Espírito Santo.

    Arten explica que esse contraste é necessário porque, segundo a interpretação apresentada no livro, esses dois sistemas conduzem a experiências completamente diferentes.

    O ego interpreta através da separação.

    O Espírito Santo reinterpretaria aquilo que vemos a partir de outra perspectiva.

    O ego procura culpa.

    O Espírito Santo oferece correção.

    O ego quer provar que existe um inimigo.

    O Espírito Santo transforma o relacionamento em oportunidade de perdão.

    Assim, Arten e Pursah funcionam quase como professores que repetidamente perguntam: “Qual professor você está escolhendo agora?”

    ELES NÃO QUEREM QUE GARY DEPENDA DELES

    Esse talvez seja um dos pontos mais interessantes.

    Se Arten e Pursah quisessem criar dependência espiritual, seria natural dizer: “Você precisa de nós para continuar.” Mas não é essa a orientação apresentada.

    Em determinado diálogo, Pursah diz que eles não fariam visitas regulares para sempre e que Gary deveria continuar aprendendo mesmo quando não parecessem estar presentes.

    Mais tarde, a orientação se torna ainda mais clara.

    Gary deveria aprender a trabalhar com o Espírito Santo e pedir orientação diretamente quando precisasse tomar decisões relacionadas à sua missão.

    Essa mudança é fundamental.

    O professor externo aponta para o Professor interior.

    A presença extraordinária deixa de ser o centro.

    A prática passa a ser o centro.

    POR QUE ELES APARECEM COMO HOMEM E MULHER?

    Essa pergunta toca diretamente a metafísica do livro.

    Arten e Pursah aparecem em corpos diferentes. Mas os próprios ensinamentos que apresentam dizem que nossa identidade verdadeira não seria corporal.

    Dentro da perspectiva ensinada no livro, masculino e feminino pertencem ao domínio da forma.

    A realidade espiritual última não estaria dividida nessas categorias.

    Em outro diálogo, Pursah afirma que no Céu não existiriam diferenças e que a realidade divina seria caracterizada pela unidade.

    Isso cria uma espécie de paradoxo pedagógico.

    Eles utilizam formas para ensinar que não somos a forma.

    Utilizam corpos para ensinar que não somos corpos.

    Utilizam palavras para apontar para algo que, segundo sua metafísica, estaria além das palavras.

    Utilizam duas pessoas aparentemente separadas para ensinar sobre uma realidade na qual a separação não existe.

    Nesse sentido, até suas aparências funcionam como símbolos.

    O QUE ARTEN E PURSAH QUEREM ENSINAR?

    Quando retiramos todas as histórias extraordinárias, resta um núcleo surpreendentemente prático.

    Eles querem ensinar Gary a mudar a mente.

    Não apenas acumular conhecimentos metafísicos.

    Não apenas acreditar em reencarnação.

    Não apenas descobrir quem teria sido quem em outra vida.

    Não apenas compreender intelectualmente a natureza do universo.

    O objetivo é transformar a maneira como Gary reage às situações.

    O livro afirma repetidamente que os acontecimentos aparentemente externos ativam julgamentos, medo, culpa, raiva, superioridade, inferioridade e outras respostas que reforçam a experiência de separação.

    É aí que entra o treinamento.

    Quando alguma coisa acontece, Gary pode reagir automaticamente.

    Ou pode observar sua mente.

    Pode condenar.

    Ou pode aprender a perdoar.

    Pode transformar alguém em inimigo.

    Ou pode utilizar aquela mesma pessoa como oportunidade para reconhecer algo que ainda precisa ser curado em sua própria percepção.

    ARTEN E PURSAH COMO ESPELHOS

    Podemos aprofundar ainda mais essa leitura.

    Independentemente de como cada leitor interprete a origem das experiências narradas por Gary, Arten e Pursah podem ser compreendidos, dentro da arquitetura do livro, como espelhos pedagógicos.

    Eles continuamente devolvem Gary para si mesmo.

    Gary pergunta sobre o universo.

    Eles voltam para a mente.

    Gary pergunta sobre outra pessoa.

    Eles voltam para a mente.

    Gary pergunta sobre acontecimentos externos.

    Eles voltam para a mente.

    Gary quer entender o comportamento do mundo.

    Eles voltam para a mente.

    Porque o eixo do ensinamento é: a causa que precisa ser trabalhada está na mente.

    Isso não significa que acontecimentos externos não devam ser enfrentados.

    Não significa abandonar o bom senso.

    O próprio diálogo distingue condenação de decisões práticas necessárias à vida cotidiana.

    O que muda é o lugar onde buscamos a cura fundamental.

    PRECISAMOS ACREDITAR QUE ARTEN E PURSAH EXISTEM?

    Não.

    Pelo menos não para estudar o livro.

    E isso não é uma conclusão que precisamos impor à obra.

    O próprio Gary diz isso.

    Ele afirma que não considera essencial que o leitor acredite que as aparições tenham acontecido para se beneficiar das informações apresentadas.

    Isso nos permite estabelecer uma postura extremamente fértil.

    Não precisamos escolher imediatamente entre:

    “Acredito em tudo.”

    ou

    “Rejeito tudo.”

    Existe uma terceira possibilidade: investigar.

    Podemos perguntar:

    Essa ideia faz sentido dentro do sistema apresentado?

    O que ela revela sobre minha maneira de pensar?

    Ela me torna mais consciente dos meus julgamentos?

    Ajuda-me a reconhecer minhas projeções?

    Produz mais responsabilidade pela minha própria mente?

    Ajuda-me a compreender o perdão?

    Essa postura preserva simultaneamente abertura e discernimento.

    O VERDADEIRO TESTE NÃO É A APARIÇÃO

    Imagine que amanhã Arten e Pursah aparecessem diante de você.

    Seria extraordinário.

    Mas depois?

    Você ainda teria relacionamentos.

    Ainda encontraria pessoas difíceis.

    Ainda teria dias em que seus planos não funcionariam.

    Ainda seria contrariado.

    Ainda teria oportunidades de julgar.

    Ainda teria medo.

    Ainda precisaria decidir qual interpretação dar às experiências.

    É por isso que, paradoxalmente, a parte mais extraordinária de O Desaparecimento do Universo talvez não sejam as aparições.

    É aquilo que acontece depois delas.

    Gary precisa praticar.

    Precisa observar.

    Precisa errar.

    Precisa tentar novamente.

    Precisa descobrir que conhecer a teoria do perdão não significa ter perdoado.

    E Arten e Pursah continuam trazendo-o de volta para essa prática.

    UMA EXPERIÊNCIA PARA HOJE

    Podemos transformar o ensinamento central deste post em uma pequena prática.

    Pense em uma pessoa que desperta alguma reação em você.

    Não escolha necessariamente o maior conflito da sua vida.

    Comece com algo pequeno.

    Alguém que irrita você.

    Alguém que você considera difícil.

    Alguém cujo comportamento você gostaria de mudar.

    Observe o que acontece em sua mente quando pensa nessa pessoa.

    Agora pergunte: “Qual interpretação estou escolhendo?”

    Depois: “Existe outra maneira de olhar para isso?”

    Você não precisa fabricar uma resposta espiritual.

    Não precisa fingir amor.

    Não precisa negar aquilo que sente.

    Apenas crie um espaço entre o acontecimento e a interpretação.

    É nesse espaço que a possibilidade de escolha começa a aparecer.

    E é justamente para esse espaço que Arten e Pursah continuamente tentam conduzir Gary.

    TALVEZ A PERGUNTA MAIS IMPORTANTE SEJA OUTRA

    Quando conhecemos Arten e Pursah, a primeira pergunta naturalmente é: “Quem são eles?”

    Mas, depois de compreender a função que desempenham no livro, talvez surja uma pergunta mais profunda:

    “Quem estou escolhendo como professor da minha mente?”

    O medo?

    A culpa?

    O passado?

    O julgamento?

    O ego?

    Ou uma maneira diferente de perceber?

    Talvez seja essa a verdadeira razão pela qual Arten e Pursah importam tanto na narrativa.

    Não porque desejem ocupar o centro da história. Mas porque apontam continuamente para aquilo que, segundo o ensinamento apresentado no livro, precisa ocupar esse centro: a transformação da mente através do perdão.

    No próximo post

    Por que O Desaparecimento do Universo está ligado a Um Curso em Milagres?

    Vamos compreender por que UCEM ocupa uma posição tão central nas conversas de Arten e Pursah, o que Gary encontrou no Curso, por que O Desaparecimento do Universo não deve ser confundido com o próprio UCEM e como os dois livros podem ser estudados lado a lado sem misturar suas diferentes autorias e interpretações.

  • Quem é Gary Renard e como surgiu O Desaparecimento do Universo?

    Quem é Gary Renard e como surgiu O Desaparecimento do Universo?

    Alguns livros começam com uma pesquisa.

    Outros começam com uma pergunta.

    O Desaparecimento do Universo começa, segundo o relato de seu autor, com uma experiência que transformaria completamente a direção de sua vida.

    Antes de se tornar conhecido internacionalmente por seus livros ligados aos ensinamentos de Um Curso em Milagres, Gary R. Renard era músico profissional. Nascido no litoral norte de Massachusetts, nos Estados Unidos, trabalhou como guitarrista e cantor. Segundo sua biografia, em 1987 começou a direcionar sua vida mais intensamente para a espiritualidade e, no início da década de 1990, mudou-se para o estado do Maine. A biografia oficial atual de Gary confirma essa trajetória e informa que a elaboração de O Desaparecimento do Universo levou cerca de nove anos. (garyrenard.com)

    Mas para compreender como o livro nasceu, precisamos voltar a 1992.

    UMA VIDA QUE COMEÇAVA A MUDAR

    Na semana do Natal daquele ano, Gary conta que estava atravessando um processo de transformação interior.

    Não era, inicialmente, a história de alguém vivendo em permanente êxtase espiritual.

    Havia questões financeiras.

    Incertezas profissionais.

    Conflitos.

    Uma disputa judicial com um antigo amigo.

    E, sobretudo, uma crescente percepção de que a maneira como vinha conduzindo sua vida talvez não pudesse oferecer a paz que procurava.

    Foi então que tomou uma decisão aparentemente simples, mas que se tornaria muito significativa diante dos ensinamentos que receberia posteriormente.

    Gary desistiu da ação judicial contra aquele antigo amigo.

    Começou a experimentar o perdão.

    Ainda não compreendia plenamente o significado que essa palavra adquiriria posteriormente.

    Mas algo já estava mudando.

    “PRECISA EXISTIR UMA MANEIRA MELHOR”

    Essa é uma chave importante para compreender a trajetória de Gary.

    Antes das grandes explicações metafísicas, existe uma insatisfação.

    A percepção de que conflito após conflito não poderia constituir a resposta definitiva para a vida.

    Durante aproximadamente três décadas, Gary já havia buscado respostas espirituais.

    Entretanto, segundo sua própria narrativa, acumular conhecimento não significava necessariamente viver aquilo que havia aprendido.

    Esse é um ponto extremamente atual.

    Podemos ler dezenas de livros.

    Assistir a centenas de palestras.

    Conhecer conceitos sobre consciência, espiritualidade, ego, meditação e perdão.

    E continuar reagindo exatamente da mesma maneira quando alguém nos contraria.

    A transformação começa quando o ensinamento deixa de ser apenas informação.

    E passa a atingir nossas escolhas.

    O PEDIDO A JESUS

    Durante aquele período, Gary também relata que rezava frequentemente para Jesus.

    Havia uma pergunta particular em sua mente.

    Ele imaginava como teria sido viver dois mil anos atrás e aprender diretamente com Jesus.

    Como seria estar diante dele?

    O que ele realmente teria ensinado?

    O que seus discípulos teriam compreendido?

    E o que poderia ter sido modificado posteriormente pelas interpretações religiosas?

    Dentro da narrativa de O Desaparecimento do Universo, essa pergunta prepara o terreno para aquilo que Gary afirma ter acontecido pouco depois.

    O NATAL DE 1992

    Gary estava em sua casa, em uma região rural do Maine.

    Sua esposa havia saído para trabalhar.

    Ele estava sozinho e meditava na sala.

    Quando terminou a meditação e abriu os olhos, afirma ter encontrado duas pessoas sentadas em seu sofá.

    Um homem.

    Uma mulher.

    Eles se apresentariam como: Arten e Pursah.

    Esse episódio constitui o ponto de partida da narrativa central do livro. O próprio Gary declara que, enquanto vivia no Maine, testemunhou uma série de aparições que interpretou como manifestações físicas de dois “mestres ascensionados”.

    É importante fazer uma distinção: essa é a experiência conforme relatada por Gary Renard.

    Não precisamos transformar a alegação em fato histórico verificável para estudar o conteúdo da obra.

    Aliás, o próprio autor oferece ao leitor essa liberdade.

    Ele afirma explicitamente que não é necessário acreditar que as aparições realmente tenham acontecido para obter benefícios das informações apresentadas no livro.

    Essa talvez seja a melhor postura para nossa série: não precisamos começar pela crença.

    Podemos começar pela investigação.

    QUEM SÃO ARTEN E PURSAH?

    Dentro do relato de Gary, Arten e Pursah se apresentam como professores espirituais.

    Mais tarde, eles afirmam ter vivido, entre outras encarnações, como discípulos de Jesus.

    Mas sua função mais importante dentro da estrutura do livro não é simplesmente contar histórias sobre vidas passadas.

    Eles funcionam como professores de um sistema de pensamento.

    Ao longo das conversas, questionam Gary constantemente.

    Questionam suas crenças.

    Suas interpretações sobre Deus.

    Sua compreensão sobre Jesus.

    Sua visão sobre o universo.

    Sua relação com o corpo.

    Sua maneira de entender o perdão.

    E principalmente: sua convicção de que aquilo que percebe é necessariamente a realidade.

    É por isso que o livro pode ser desconfortável.

    Arten e Pursah não aparecem apenas para oferecer mensagens tranquilizadoras.

    Eles aparecem, dentro da narrativa, para desmontar progressivamente uma visão de mundo.

    UMA CONVERSA QUE DUROU QUASE UMA DÉCADA

    O livro não apresenta apenas aquele primeiro encontro.

    Gary situa os acontecimentos narrados entre dezembro de 1992 e dezembro de 2001.

    As conversas são apresentadas predominantemente na forma de diálogo entre três participantes: Gary, Arten e Pursah.

    A descrição editorial da obra fala em 17 conversas realizadas ao longo de quase uma década. (PenguinRandomhouse.com)

    Isso explica uma característica interessante do livro: não estamos acompanhando apenas uma exposição teórica. Estamos acompanhando Gary tentando compreender os ensinamentos.

    Perguntando.

    Discordando.

    Fazendo piadas.

    Resistindo.

    Tentando novamente.

    E, principalmente, tentando aplicar aquilo que aprende.

    NOVE ANOS PARA ESCREVER UM LIVRO

    Gary afirma ter escrito O Desaparecimento do Universo lentamente e com cuidado durante aproximadamente nove anos.

    Isso também corresponde à cronologia dos encontros narrados.

    Mas há outro detalhe importante.

    Gary explica que o livro não deve ser entendido como uma transcrição absolutamente literal de cada palavra pronunciada durante os encontros.

    Ele afirma ter ampliado algumas conversas posteriormente a partir do que recordava e descreve a obra como um projeto pessoal. Também assume responsabilidade por eventuais erros factuais e registra expressamente que as ideias apresentadas constituem sua interpretação e compreensão pessoal.

    Essa informação é fundamental para uma leitura cuidadosa.

    Temos, portanto, pelo menos três níveis diferentes:

    • a experiência que Gary afirma ter vivido;
    • a maneira como ele posteriormente registrou essa experiência;
    • e os ensinamentos metafísicos apresentados através dela.

    Separar esses níveis permite estudar o livro sem perder discernimento.

    E ONDE ENTRA UM CURSO EM MILAGRES?

    Aqui está uma das peças centrais da história.

    O Desaparecimento do Universo está profundamente relacionado a Um Curso em Milagres.

    As conversas apresentam uma interpretação de conceitos como:

    • ego;
    • separação;
    • culpa inconsciente;
    • projeção;
    • percepção;
    • Espírito Santo;
    • milagre;
    • perdão;
    • não-dualismo;
    • despertar.

    O livro contém numerosas referências ao Curso e utiliza seus ensinamentos como eixo para desenvolver a visão metafísica apresentada por Arten e Pursah.

    Entretanto, existe uma distinção essencial: O Desaparecimento do Universo não é Um Curso em Milagres.

    Nem pretende substituí-lo.

    O prefácio da obra descreve o livro como uma possível introdução ou revisão radical dos princípios fundamentais do Curso.

    Essa diferença será preservada ao longo de toda a nossa série.

    Quando uma ideia pertencer especificamente à interpretação de Gary, Arten e Pursah, trataremos como tal.

    Quando estivermos examinando diretamente UCEM, faremos essa distinção.

    O VERDADEIRO PERSONAGEM DA HISTÓRIA

    À primeira vista, podemos pensar que os protagonistas são Arten e Pursah. Mas existe outra maneira de enxergar a obra.

    O verdadeiro personagem em transformação é a mente de Gary.

    No começo, ele ouve conceitos.

    Depois tenta entendê-los.

    Mais tarde começa a perceber seus próprios julgamentos.

    E finalmente precisa levar o ensinamento para situações concretas.

    Isso se torna particularmente evidente quando Gary olha retrospectivamente para sua experiência e admite que somente nos capítulos finais sentiu que estava realmente praticando o perdão.

    Essa frase revela muito sobre a proposta do livro.

    Porque existe uma enorme distância entre:

    saber explicar o perdão

    e

    perdoar quando alguém nos fere.

    Existe uma enorme distância entre:

    falar sobre o ego

    e

    perceber o ego funcionando em nós.

    Existe uma enorme distância entre:

    estudar paz

    e

    escolher paz quando temos a oportunidade de atacar.

    É justamente essa passagem da teoria para a prática que acompanhará toda a trajetória.

    POR QUE O LIVRO SE TORNOU TÃO LIGADO A UCEM?

    Porque Gary apresenta conceitos metafísicos complexos através de conversas informais.

    Ele pergunta aquilo que muitos leitores provavelmente perguntariam.

    “Como isso pode ser verdade?”

    “E o corpo?”

    “E Deus?”

    “E a morte?”

    “E o sofrimento?”

    “E as pessoas que realmente fazem coisas terríveis?”

    “Como posso perdoar isso?”

    A linguagem dialogada torna acessíveis conceitos que, em Um Curso em Milagres, podem parecer bastante densos em uma primeira leitura.

    Mas existe também um risco.

    O leitor pode começar a considerar automaticamente tudo aquilo que Arten e Pursah dizem como se fosse uma afirmação direta de UCEM.

    Por isso nossa série fará continuamente uma distinção entre o texto de Gary Renard e o texto do Curso.

    O LIVRO COMEÇA COM UMA APARIÇÃO, MAS NÃO É SOBRE APARIÇÕES

    Talvez essa seja uma das melhores maneiras de compreender O Desaparecimento do Universo.

    As aparições chamam atenção.

    As histórias de vidas passadas despertam curiosidade.

    As afirmações sobre Jesus provocam debate.

    As explicações metafísicas desafiam nossas crenças.

    Mas tudo isso aponta continuamente para uma questão muito mais próxima de nós:

    O que você está fazendo com a sua mente agora?

    Quem você está julgando?

    Quem você acredita que precisa mudar para que você possa ficar em paz?

    Que culpa ainda está carregando?

    Que situação continua utilizando para justificar sua raiva?

    Onde está procurando sua salvação?

    É por isso que a história de Gary não precisa permanecer apenas como a história de Gary.

    Ela pode se transformar em um espelho.

    UMA PERGUNTA PARA LEVAR COM VOCÊ

    Antes de avançarmos, observe alguma situação de conflito presente em sua vida.

    Não tente resolvê-la imediatamente.

    Pergunte apenas: “Existe outra maneira de olhar para isso?”

    Não significa concordar com comportamentos inadequados.

    Não significa abandonar limites.

    Não significa permitir abusos.

    Significa apenas criar uma pequena abertura na certeza de que a nossa interpretação atual é a única interpretação possível. Essa abertura parece pequena. Mas é justamente por ela que uma nova percepção pode começar.

    E talvez seja isso que aconteceu com Gary antes mesmo de Arten e Pursah aparecerem em seu sofá.

    Ele começou com uma percepção extremamente simples: deve existir outra maneira.

    E, segundo a história que ele conta, essa disposição para encontrar outra maneira abriu a porta para uma jornada que levaria nove anos para ser registrada e se tornaria O Desaparecimento do Universo.

    No próximo post

    Quem são Arten e Pursah na narrativa de Gary Renard?

    Vamos aprofundar quem são essas duas figuras, como Gary descreve sua primeira aparição, o papel que desempenham no livro, o que afirmam sobre suas identidades e, principalmente, por que compreender a função simbólica de Arten e Pursah pode ser mais importante do que simplesmente decidir se acreditamos ou não em sua existência.

  • O que é O Desaparecimento do Universo?

    O que é O Desaparecimento do Universo?

    Há livros que procuram responder às grandes perguntas da existência.

    E há livros que começam questionando se aquilo que chamamos de existência é realmente o que pensamos que seja.

    O Desaparecimento do Universo, de Gary R. Renard, pertence a essa segunda categoria.

    Desde as primeiras páginas, a obra conduz o leitor para uma investigação radical sobre Deus, o mundo, a consciência, o ego, o corpo, a culpa, o perdão e aquilo que entendemos como realidade.

    Não é um livro convencional de espiritualidade.

    Também não é simplesmente um comentário sobre Um Curso em Milagres.

    É apresentado como uma longa sequência de conversas entre Gary Renard e dois personagens espirituais chamados Arten e Pursah, que, segundo o relato do autor, apareceram fisicamente diante dele ao longo de vários anos. Gary situa esses encontros entre dezembro de 1992 e dezembro de 2001.

    A partir desses diálogos, o livro apresenta uma interpretação profunda e muitas vezes provocadora dos princípios metafísicos de Um Curso em Milagres.

    Mas existe um ponto essencial antes de prosseguirmos: o próprio Gary Renard afirma que não é necessário acreditar nas aparições de Arten e Pursah para aproveitar os ensinamentos apresentados no livro. Ele deixa ao leitor a liberdade de formar sua própria opinião sobre a origem dessas experiências.

    Esse é um excelente ponto de partida para nossa leitura.

    Podemos nos aproximar da obra não perguntando inicialmente: “Isso aconteceu exatamente assim?”

    Mas perguntando: “O que essas ideias estão tentando nos ensinar?”

    UM LIVRO SOBRE UMA MUDANÇA RADICAL DE PERCEPÇÃO

    O subtítulo já oferece uma pista sobre a amplitude da proposta.

    O livro anuncia uma conversa sobre ilusões, vidas passadas, religião, sexo, política e os milagres do perdão.

    Porém, apesar da variedade de assuntos, existe uma questão central atravessando toda a obra: O que aconteceria se estivéssemos profundamente enganados sobre a natureza da realidade?

    A partir daí, praticamente tudo é colocado sob investigação.

    Quem somos?

    Somos realmente nossos corpos?

    Deus criou este mundo?

    Por que existe sofrimento?

    Qual é a origem do medo?

    Por que repetimos conflitos?

    O que é o ego?

    Por que julgamos?

    O que acontece quando morremos?

    O tempo é real?

    O que significa despertar?

    E, principalmente: o que é o verdadeiro perdão?

    Essas perguntas não aparecem isoladamente.

    Elas fazem parte de uma estrutura metafísica que vai sendo construída aos poucos durante as conversas.

    A PRIMEIRA GRANDE VIRADA

    Em grande parte das tradições religiosas, existe uma distinção relativamente clara: Deus criou o universo.

    Nós vivemos dentro desse universo.

    E nossa tarefa espiritual consiste em aprender a viver nele de maneira mais próxima de Deus.

    O Desaparecimento do Universo apresenta uma perspectiva completamente diferente.

    Dentro da interpretação ensinada por Arten e Pursah, existe uma distinção radical entre realidade e percepção.

    O mundo que percebemos pertenceria ao domínio da experiência da separação.

    Deus, por outro lado, pertenceria à realidade absoluta.

    Essa perspectiva se aproxima daquilo que o livro chama de puro não-dualismo.

    Nesse sistema de pensamento, realidade e ilusão não formam dois poderes opostos igualmente verdadeiros.

    Somente a realidade é real.

    A ilusão pode ser experimentada, mas não adquire realidade absoluta apenas porque parece convincente.

    É justamente essa diferenciação que sustenta grande parte da metafísica desenvolvida ao longo do livro.

    MAS ENTÃO O MUNDO NÃO EXISTE?

    Essa provavelmente é uma das primeiras resistências de qualquer leitor.

    Se estou vendo uma árvore, tocando uma mesa, conversando com pessoas e experimentando acontecimentos concretos, como alguém pode dizer que isso pertence ao campo da ilusão?

    O livro não pede inicialmente que o leitor negue sua experiência cotidiana.

    Ele procura alterar a interpretação que fazemos dela.

    Dentro da lógica apresentada pela obra, dizer que algo pertence ao domínio da ilusão não significa simplesmente dizer: “Estou imaginando tudo.”

    A questão é muito mais profunda.

    Trata-se de perguntar se aquilo que percebemos representa a realidade última ou apenas uma experiência produzida dentro de determinado estado da mente.

    A metáfora do sonho aparece repetidamente porque ajuda a compreender essa ideia.

    Enquanto estamos sonhando, aquilo que acontece no sonho parece real.

    Sentimos medo.

    Alegria.

    Desejo.

    Perda.

    Perigo.

    Podemos correr, amar, sofrer ou lutar.

    Somente depois de despertar percebemos que todo aquele universo pertencia a outro estado de consciência.

    A grande provocação de O Desaparecimento do Universo é perguntar: e se algo semelhante estiver acontecendo agora?

    O PROBLEMA NÃO ESTARIA NO MUNDO, MAS NA MENTE

    Essa é uma das mudanças mais importantes propostas pelo livro.

    Normalmente tentamos resolver nossos problemas alterando circunstâncias externas.

    Mudamos pessoas.

    Relacionamentos.

    Empregos.

    Cidades.

    Projetos.

    Estratégias.

    Tentamos reorganizar o mundo para finalmente encontrar paz.

    O ensinamento apresentado no livro desloca o foco.

    Ele afirma que a raiz do problema deve ser procurada na mente, e não simplesmente nos acontecimentos externos.

    Em um trecho posterior, a orientação é expressa diretamente: voltar à fonte do problema — a mente — e mudar a mente através do perdão.

    Isso não significa abandonar responsabilidades práticas.

    Significa perceber que podemos modificar circunstâncias indefinidamente e ainda carregar conosco o mesmo sistema de pensamento.

    Se a causa permanece, novos cenários podem simplesmente reproduzir os mesmos conflitos.

    ONDE ENTRA O EGO?

    Aqui chegamos a outro conceito fundamental.

    O ego, dentro dessa perspectiva, não é apenas arrogância ou excesso de autoestima.

    É um sistema de pensamento.

    Ele está relacionado à crença na separação.

    Separação entre nós e Deus.

    Separação entre nós e os outros.

    Separação entre sujeito e objeto.

    Separação entre quem ama e quem é amado.

    Quando essa separação é considerada verdadeira, surgem consequências psicológicas.

    Medo.

    Culpa.

    Defesa.

    Comparação.

    Julgamento.

    Ataque.

    Projeção.

    O livro dedica boa parte de sua estrutura a revelar como esse sistema funciona e como pode permanecer inconsciente enquanto dirige a experiência humana.

    É justamente por isso que apenas tentar “pensar positivo” não resolveria, dentro dessa abordagem, a raiz do problema.

    É preciso olhar para o sistema de pensamento que está por trás da percepção.

    E QUAL SERIA A ALTERNATIVA?

    O livro apresenta dois sistemas de pensamento.

    Um é associado ao ego.

    O outro, ao Espírito Santo.

    Esses termos precisam ser compreendidos dentro da linguagem específica de Um Curso em Milagres.

    O Espírito Santo aparece como uma espécie de princípio de correção dentro da mente: uma maneira diferente de interpretar aquilo que vemos.

    O acontecimento externo pode continuar sendo o mesmo. Mas sua interpretação pode mudar. É nesse ponto que surge o significado de milagre.

    O MILAGRE NÃO É NECESSARIAMENTE ALGO SOBRENATURAL

    Uma das ideias que mais surpreende leitores iniciantes é a definição de milagre utilizada nessa tradição.

    Milagre não significa necessariamente fazer aparecer algo fisicamente extraordinário.

    Seu sentido principal está relacionado a uma mudança de percepção.

    Você vê uma situação através do medo.

    Depois passa a enxergá-la através de outra perspectiva.

    Você vê alguém exclusivamente como inimigo.

    Depois começa a perceber aquilo que seu próprio julgamento está revelando sobre sua mente.

    Você pensa que a paz depende do comportamento de outra pessoa.

    Depois reconhece que existe um trabalho interior que não pode ser delegado.

    Essa mudança é o início do milagre.

    E ela nos conduz ao coração de todo o livro:

    O PERDÃO

    Talvez nenhuma palavra seja tão importante em O Desaparecimento do Universo quanto perdão.

    Mas o perdão apresentado ali não é exatamente o perdão convencional.

    Normalmente dizemos: “Você realmente fez algo terrível contra mim, mas eu sou suficientemente bom para perdoá-lo.”

    Nesse modelo, a culpa do outro continua sendo considerada absolutamente real.

    A condenação apenas recebe uma camada de benevolência.

    O perdão discutido no livro procura chegar mais fundo. Ele trabalha com nossa percepção, nossas projeções e a culpa inconsciente.

    O objetivo não é simplesmente modificar nosso comportamento exterior. É utilizar aquilo que acontece nos relacionamentos como oportunidade de cura da mente.

    Esse tema cresce tanto ao longo da obra que o próprio Gary reconhece, olhando retrospectivamente, que só nos capítulos finais percebeu estar realmente praticando o perdão.

    Isso nos revela algo importante: compreender intelectualmente não é o mesmo que praticar.

    O LIVRO NÃO SUBSTITUI UM CURSO EM MILAGRES

    Esse ponto merece atenção.

    O Desaparecimento do Universo utiliza extensivamente ideias e referências de Um Curso em Milagres.

    Entretanto, o prefácio esclarece que a obra não pretende substituir o Curso. Ela pode funcionar como uma introdução provocadora ou como uma revisão de seus princípios fundamentais.

    Além disso, o próprio Gary registra que as ideias apresentadas representam sua interpretação e compreensão pessoal, não necessariamente a posição dos detentores dos direitos de Um Curso em Milagres.

    Essa distinção será muito importante ao longo desta série.

    Estudaremos aquilo que Gary, Arten e Pursah apresentam no livro e, quando necessário, distinguiremos isso do texto original de UCEM.

    UMA VIAGEM EM DUAS PARTES

    A estrutura do livro também revela sua intenção.

    A primeira parte recebe o nome: Um Sussurro em Seu Sonho.

    Nela estão os capítulos sobre Arten e Pursah, o “J Oculto”, o milagre, os segredos da existência e o plano do ego.

    Depois começa a segunda parte: Despertar.

    Ali entram a alternativa do Espírito Santo, a lei do perdão, iluminação, experiências de quase-morte, cura, tempo, notícias, oração, abundância, futuro e, finalmente, O Desaparecimento do Universo.

    A própria organização sugere um movimento: primeiro compreender o sonho.

    Depois: aprender a despertar dele.

    ENTÃO O QUE SIGNIFICA “O DESAPARECIMENTO DO UNIVERSO”?

    Não significa simplesmente imaginar que planetas, estrelas e objetos vão desaparecer diante dos nossos olhos.

    O significado é principalmente metafísico.

    Se o universo da separação depende de uma determinada maneira de perceber, quando essa percepção é completamente corrigida, aquilo que sustentava o sonho deixa de ter função.

    O desaparecimento começa, portanto, na mente.

    Desaparece uma condenação.

    Desaparece uma culpa.

    Desaparece uma necessidade de atacar.

    Desaparece a necessidade de transformar alguém em inimigo.

    Desaparece uma projeção.

    Desaparece outra.

    E, progressivamente, aquilo que parecia provar nossa separação começa a ser utilizado para desfazê-la.

    No final da obra, Gary relaciona explicitamente o perdão à paz de Deus, ao retorno ao Céu e ao próprio desaparecimento do universo dentro dessa estrutura metafísica.

    A PERGUNTA QUE O LIVRO DEIXA PARA NÓS

    Talvez não seja necessário começar perguntando se concordamos com tudo.

    Há outra pergunta muito mais fértil:

    E se parte do sofrimento que atribuímos ao mundo estiver sendo produzida pela maneira como nossa mente interpreta o mundo?

    Observe essa pergunta durante o dia.

    Quando alguém contrariar você, perceba.

    Quando surgir irritação, perceba.

    Quando desejar culpar alguém, perceba.

    Quando sentir necessidade de provar que está certo, perceba.

    Não precisa mudar imediatamente.

    Primeiro observe.

    Porque uma das portas para o verdadeiro perdão é justamente começar a reconhecer o sistema de pensamento que antes funcionava sem ser percebido.

    Talvez seja aí que o “desaparecimento” realmente comece.

    Não com o desaparecimento das estrelas.

    Não com o desaparecimento das pessoas.

    Mas com o desaparecimento gradual daquilo que nos fazia acreditar que estávamos irremediavelmente separados uns dos outros e de Deus.

    No próximo post da série:

    Quem é Gary Renard e como surgiu O Desaparecimento do Universo?

    Vamos conhecer a história que o autor conta sobre sua busca espiritual, as primeiras aparições de Arten e Pursah, o período de nove anos de elaboração do livro e como essa experiência acabou conduzindo-o aos ensinamentos de Um Curso em Milagres.