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  • Por que O Desaparecimento do Universo está ligado a Um Curso em Milagres?

    Por que O Desaparecimento do Universo está ligado a Um Curso em Milagres?

    Para compreender verdadeiramente O Desaparecimento do Universo, existe uma conexão que não pode ser ignorada:

    Um Curso em Milagres.

    À primeira vista, o livro de Gary Renard parece contar uma história extraordinária sobre o aparecimento de Arten e Pursah e as conversas que se seguem. Mas, conforme avançamos, percebemos que existe uma estrutura por trás dessas conversas.

    Os temas mudam.

    As perguntas de Gary mudam.

    As situações mudam.

    Entretanto, Arten e Pursah retornam continuamente aos mesmos princípios:

    • a separação.
    • o ego.
    • a culpa.
    • a projeção.
    • a percepção.
    • o Espírito Santo.
    • o milagre.
    • e, sobretudo, o perdão.

    Esses conceitos formam justamente o núcleo da interpretação de Um Curso em Milagres apresentada ao longo de O Desaparecimento do Universo.

    O próprio livro deixa clara essa relação. Em sua introdução, ele é apresentado não como substituto de UCEM, mas como uma possível introdução estimulante ou revisão radical de seus princípios fundamentais.

    Portanto, existe uma distinção essencial:

    • Gary Renard não escreveu Um Curso em Milagres.
    • Arten e Pursah não são personagens do texto original de UCEM.

    Mas O Desaparecimento do Universo utiliza Um Curso em Milagres como uma de suas principais estruturas metafísicas.

    E compreender essa diferença muda completamente nossa leitura.

    DOIS LIVROS, DUAS EXPERIÊNCIAS DE LEITURA

    Um Curso em Milagres possui uma linguagem própria.

    Seu sistema de ensino é apresentado através do Texto, do Livro de Exercícios e do Manual para Professores, além de materiais suplementares em determinadas edições.

    É uma obra densa.

    Muitas de suas palavras familiares — como perdão, milagre, expiação, salvação, ego, pecado e Espírito Santo — recebem significados específicos dentro de seu sistema de pensamento.

    Isso pode produzir uma dificuldade inicial.

    O leitor reconhece a palavra. Mas talvez ainda não reconheça o significado que o Curso está atribuindo a ela.

    O Desaparecimento do Universo trabalha de outra maneira.

    Gary pergunta.

    Arten responde.

    Pursah provoca.

    Gary faz outra pergunta.

    Discorda.

    Tenta entender.

    Faz uma piada.

    Volta ao assunto.

    E conceitos abstratos começam a ser apresentados dentro de uma conversa.

    É justamente aí que os dois livros se encontram.

    GARY REPRESENTA, EM MUITOS MOMENTOS, O LEITOR

    Uma das razões pelas quais O Desaparecimento do Universo pode funcionar como porta de entrada para determinados leitores de UCEM é a própria posição de Gary.

    Ele não aparece como alguém que compreende tudo desde o começo.

    Muito pelo contrário.

    Ele pergunta aquilo que muitas pessoas perguntariam.

    Se Deus é amor, por que existe sofrimento?

    Deus criou este universo?

    Por que estamos aqui?

    O corpo é quem realmente somos?

    O que acontece depois da morte?

    Por que julgamos tanto?

    O que é o ego?

    O que significa perdoar?

    Se o mundo é uma ilusão, precisamos ignorar o que acontece nele?

    E talvez uma das perguntas mais difíceis: como aplicar tudo isso quando alguém realmente nos machuca?

    Arten e Pursah utilizam essas perguntas para apresentar sua interpretação de UCEM.

    Assim, em vez de receber apenas uma exposição abstrata, acompanhamos um estudante tentando assimilar um sistema de pensamento.

    A PRIMEIRA GRANDE CONEXÃO: A SEPARAÇÃO

    Para compreender a ligação entre os livros, precisamos começar pela ideia de separação.

    Na estrutura metafísica apresentada em O Desaparecimento do Universo, o problema fundamental da experiência humana não começa no dinheiro.

    Não começa nos relacionamentos.

    Não começa na política.

    Não começa no corpo.

    Não começa sequer na morte.

    Tudo isso seria consequência de uma questão mais profunda: a crença na separação.

    A mente experimentaria a si mesma como separada de Deus e, posteriormente, como separada de todas as outras coisas.

    Eu estou aqui.

    Você está ali.

    Meu corpo termina aqui.

    Seu corpo começa ali.

    Meus interesses podem competir com os seus.

    Para eu ganhar, talvez você precise perder.

    Essa lógica da separação passa então a organizar a percepção.

    E é nesse terreno que o ego encontra sua função.

    A SEGUNDA CONEXÃO: O EGO

    No uso cotidiano, chamamos alguém de “egoísta” quando a pessoa pensa excessivamente em si mesma.

    Mas o ego discutido nessa tradição é muito mais amplo.

    Ele é apresentado como um sistema de pensamento baseado na separação.

    Se acredito profundamente que sou separado, preciso proteger minha identidade.

    Preciso defender.

    Comparar.

    Controlar.

    Competir.

    Acusar.

    Criar diferenças.

    Determinar quem está certo.

    Determinar quem está errado.

    E, sobretudo, encontrar uma explicação externa para aquilo que sinto internamente.

    Em O Desaparecimento do Universo, Arten afirma que existem, em última análise, dois sistemas de pensamento e que o ensinamento trabalha contrastando-os: o sistema associado ao ego e aquele associado ao Espírito Santo.

    Essa oposição organiza grande parte das conversas.

    A TERCEIRA CONEXÃO: O ESPÍRITO SANTO

    Se o ego oferece uma interpretação, seria necessária uma alternativa.

    É aqui que entra o Espírito Santo.

    Na linguagem utilizada nessa tradição, o Espírito Santo não precisa ser imaginado simplesmente como uma figura exterior que aparece e toma decisões por nós.

    Ele representa a possibilidade de outra interpretação dentro da mente.

    O ego olha para determinada situação e diz:

    “Veja o que fizeram com você.”

    “Condene.”

    “Defenda-se interiormente.”

    “Você só ficará em paz quando aquela pessoa mudar.”

    A alternativa proposta pelo ensinamento começa perguntando: “Existe outra maneira de perceber isso?”

    Isso não significa abandonar a inteligência.

    Nem deixar de tomar decisões.

    Nem aceitar situações prejudiciais.

    O próprio diálogo de Arten diferencia o julgamento condenatório dos julgamentos práticos necessários para viver no mundo e afirma que o bom senso continua necessário.

    A transformação buscada ocorre em outro nível: qual sistema de pensamento está orientando minha percepção?

    A QUARTA CONEXÃO: O MILAGRE

    Aqui encontramos uma palavra que frequentemente causa confusão.

    Quando ouvimos “milagre”, podemos imaginar:

    • uma cura inexplicável;
    • um acontecimento sobrenatural;
    • uma manifestação física;
    • algo extraordinário contrariando aquilo que esperávamos.

    Mas o conceito trabalhado em UCEM e explorado por Gary Renard desloca a atenção do espetáculo externo para a mente.

    O milagre está ligado a uma mudança de percepção.

    Imagine que você esteja profundamente irritado com alguém.

    Tudo o que pensa sobre aquela pessoa confirma sua condenação.

    Você repassa mentalmente aquilo que aconteceu.

    Constrói argumentos.

    Relembra outros acontecimentos.

    Procura provas.

    Seu sistema perceptivo inteiro começa a trabalhar para demonstrar: “Eu estou certo em condenar.”

    Então alguma coisa muda.

    Talvez você não passe imediatamente a gostar daquela pessoa.

    Talvez a situação externa nem sequer se altere.

    Mas surge uma brecha.

    Você percebe que não quer continuar alimentando aquela guerra dentro da própria mente.

    Essa mudança de direção é muito mais próxima do significado de milagre trabalhado nessa tradição do que simplesmente esperar por um fenômeno extraordinário.

    A QUINTA CONEXÃO: O PERDÃO

    Chegamos ao coração da ligação entre as duas obras.

    Se tivéssemos de escolher apenas um tema para explicar por que O Desaparecimento do Universo está tão relacionado a Um Curso em Milagres, provavelmente seria:

    PERDÃO.

    Mas não o perdão entendido apenas convencionalmente.

    Normalmente pensamos:

    “Você fez algo errado.”

    “Você é culpado.”

    “Mas decidi ser generoso e perdoar você.”

    O problema, dentro da lógica metafísica apresentada no livro, é que a condenação continua intacta.

    Continuamos dizendo: “Você é realmente culpado pelo que aconteceu comigo.”

    O perdão apresentado por Arten e Pursah procura atingir a percepção que sustenta a condenação.

    É por isso que o ensinamento retorna continuamente à mente.

    O objetivo não é negar acontecimentos.

    É trabalhar com o significado psicológico e metafísico que atribuímos a eles.

    PROJEÇÃO: O MECANISMO QUE TORNA O PERDÃO NECESSÁRIO

    Existe outra peça fundamental: projeção.

    Se existe culpa que não quero reconhecer em mim, posso percebê-la fora.

    Agora parece que o problema está exclusivamente no outro.

    O outro se torna o culpado.

    Eu me torno a vítima.

    E a mente encontra uma justificativa aparentemente perfeita para não investigar a si mesma.

    Dentro do sistema apresentado no livro, os problemas do mundo procuram produzir respostas como culpa, raiva, medo, inferioridade, superioridade e julgamento, reforçando assim a experiência de separação.

    É justamente aí que o perdão começa a funcionar como instrumento de transformação.

    Aquilo que antes servia para aumentar a separação passa a ser utilizado para observar a própria mente.

    ISSO SIGNIFICA QUE NÃO DEVEMOS FAZER NADA NO MUNDO?

    Não.

    Essa é uma confusão importante de evitar.

    Se alguém viola seus limites, você pode estabelecer limites.

    Se existe um problema jurídico, pode tomar as providências necessárias.

    Se precisa procurar um médico, procure.

    Se precisa terminar um relacionamento, pode terminar.

    Se precisa dizer “não”, diga.

    A prática interior não exige passividade exterior.

    A própria discussão do livro preserva espaço para decisões práticas e bom senso.

    A pergunta é outra: enquanto faço aquilo que precisa ser feito, o que estou cultivando dentro da minha mente?

    Posso agir sem transformar o outro psicologicamente em um inimigo absoluto?

    Posso estabelecer um limite sem alimentar ódio durante dez anos?

    Posso defender meus direitos sem construir minha identidade inteira ao redor da condição de vítima?

    Essa é uma dimensão muito mais profunda da prática.

    POR QUE ARTEN E PURSAH INSISTEM TANTO NO CURSO?

    Dentro da narrativa, Arten e Pursah não querem simplesmente que Gary conheça frases bonitas. Eles querem que ele compreenda o sistema de pensamento.

    Pursah chega a enfatizar a importância de compreender corretamente aquilo que, na perspectiva dela, diferencia UCEM de outros ensinamentos espirituais.

    Essa preocupação ajuda a explicar por que O Desaparecimento do Universo é tão insistente em determinados temas.

    Não basta dizer: “Tudo é amor.”

    É necessário investigar: Se tudo é amor, de onde parece surgir aquilo que não é amor?

    Não basta dizer: “Somos todos um.”

    É necessário perguntar: Por que minha experiência diária parece confirmar constantemente a separação?

    Não basta dizer: “Eu perdoo.”

    É necessário observar: Ainda estou condenando essa pessoa secretamente em minha mente?

    O livro procura levar as afirmações espirituais às suas consequências psicológicas.

    O DESAPARECIMENTO DO UNIVERSO É UMA EXPLICAÇÃO OFICIAL DE UCEM?

    Não.

    Essa distinção é essencial para um estudo responsável.

    Gary Renard registra expressamente que as ideias apresentadas no livro constituem sua interpretação e compreensão pessoal e não necessariamente representam a posição dos detentores dos direitos autorais de Um Curso em Milagres.

    Isso significa que devemos evitar uma equivalência automática:

    “Arten disse” = “UCEM diz”.

    Nem sempre podemos fazer essa passagem sem consultar o Curso diretamente.

    A melhor abordagem é: O Desaparecimento do Universo pode ajudar a levantar perguntas e organizar conceitos.

    Depois podemos voltar ao próprio Um Curso em Milagres e investigar o que o texto efetivamente apresenta.

    Essa forma de estudo é muito mais rica.

    ELE SUBSTITUI UM CURSO EM MILAGRES?

    Também não.

    O próprio prefácio afirma explicitamente que o livro não é um substituto para Um Curso em Milagres.

    Essa frase deveria acompanhar todo leitor que chega ao Curso através de Gary Renard.

    Podemos imaginar assim: Gary pode abrir uma porta.

    Mas, se queremos estudar UCEM, em algum momento precisamos entrar em contato diretamente com UCEM.

    É semelhante a ler um excelente livro sobre determinado filósofo.

    O comentário pode ajudar enormemente.

    Pode esclarecer conceitos.

    Pode organizar a leitura.

    Pode oferecer exemplos.

    Mas continua existindo diferença entre:

    ler sobre o filósofo

    e

    ler o filósofo.

    POR QUE, ENTÃO, LER OS DOIS?

    Porque podem proporcionar experiências complementares.

    Um Curso em Milagres apresenta seu próprio sistema de treinamento mental.

    O Desaparecimento do Universo apresenta uma narrativa na qual Gary tenta compreender e aplicar uma interpretação desse sistema.

    Em um encontramos o ensinamento.

    No outro acompanhamos, em grande medida, um estudante confrontando as implicações desse ensinamento.

    E isso pode ser extremamente útil.

    Porque Gary faz algo que todos nós fazemos.

    Entende uma ideia.

    Depois esquece.

    Entende novamente.

    Depois se irrita com alguém.

    Lembra do ensinamento.

    Tenta aplicar.

    Fracassa.

    Tenta outra vez.

    E pouco a pouco começa a perceber que espiritualidade não é apenas aquilo que pensamos durante uma meditação.

    É aquilo que escolhemos quando alguém toca exatamente no ponto que ainda dói.

    A LIGAÇÃO MAIS PROFUNDA ENTRE OS DOIS LIVROS

    Talvez possamos resumir a conexão em um movimento:

    Da forma para a mente.

    O problema parece estar fora.

    O ensinamento nos conduz para dentro.

    A culpa parece pertencer ao outro.

    O ensinamento nos faz observar nossa percepção.

    O mundo parece determinar nossa paz.

    O ensinamento questiona essa dependência.

    O ego quer encontrar culpados.

    O perdão desfaz a condenação.

    O medo diz: “Proteja-se da separação.”

    O caminho espiritual pergunta: “E se a separação nunca tiver alterado aquilo que você realmente é?”

    É nesse ponto que O Desaparecimento do Universo e a interpretação que apresenta de Um Curso em Milagres se encontram de maneira mais profunda.

    UMA PRÁTICA PARA HOJE

    Quando alguma coisa incomodar você hoje, experimente não começar imediatamente tentando mudar o acontecimento em sua mente.

    Observe primeiro.

    Pergunte: “Como estou interpretando isso?”

    Depois: “Minha interpretação está aumentando a separação ou abrindo espaço para a paz?”

    E finalmente: “Existe outra maneira de ver?”

    Não force uma resposta.

    Apenas permita a pergunta.

    Porque talvez uma das grandes propostas compartilhadas por essa tradição seja exatamente esta: o mundo que vemos e a maneira como o vemos não precisam permanecer sendo a mesma coisa.

    Quando a percepção muda, nossa experiência também começa a mudar.

    E é nesse espaço entre percepção e escolha que o milagre começa a adquirir significado.

    No próximo post

    O que significa “O Desaparecimento do Universo”?

    Vamos entrar diretamente no título da obra e compreender por que Gary Renard, Arten e Pursah falam em um “desaparecimento”, se isso deve ser interpretado literalmente, o que aconteceria com o universo segundo a metafísica apresentada no livro e por que o verdadeiro desaparecimento começa na mente muito antes de qualquer discussão sobre o fim do mundo físico.